Entre telas e páginas: por que estamos lendo menos?

 
Vivemos em um tempo de paradoxos. Nunca tivemos tanto acesso à informação, e, ao mesmo tempo, nunca lemos tão pouco. O que está acontecendo com o hábito da leitura no Brasil? Como as tecnologias interferem nesse cenário?

Neste texto, convido você a refletir sobre esses questionamentos à luz dos dados recentes da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) e do conceito de multiletramentos, essencial para entendermos o leitor do século XXI.
 
Mulher pensativa diante de um livro aberto e um celular sobre a mesa, com o título 'Entre telas e páginas: por que estamos lendo menos
Imagem criada por IA
 
🌍 O mundo mudou — e a leitura também 
As transformações tecnológicas alteraram radicalmente a forma como vivemos, nos comunicamos e consumimos conteúdo. E isso, claro, afeta também a maneira como lemos.

Embora a leitura continue sendo um pilar essencial para a formação crítica e cidadã, ela nunca foi plenamente acessível à população brasileira. Os altos custos de produção e comercialização do livro impresso, somados à falta de políticas públicas consistentes, sempre limitaram o alcance da leitura.
 
 

📲 Tecnologia como aliada?

Com a chegada da Web 2.0, a produção e a circulação de textos se democratizaram. Contos, crônicas e poemas começaram a ser publicados nas redes sociais; obras clássicas passaram a ser acessadas em bibliotecas digitais como o Domínio Público.

Além disso, e-books e audiolivros baratearam custos e aproximaram autores de leitores — abrindo espaço, inclusive, para escritores independentes.

Tudo isso parecia indicar um novo tempo: mais leitura, mais acesso, mais vozes.
 

📉 Mas os dados mostram outra realidade

De forma surpreendente (e preocupante), a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) revelou:

    👉 53% da população brasileira não leu nenhum livro nos últimos três meses
    👉 A média de leitura caiu de 4,95 para 3,96 livros por pessoa/ano
    👉 O índice é o menor da série histórica
    👉 A maior queda foi na Região Norte: de 63% para 48% de leitores

Essa redução no número de leitores revisita questões profundas sobre educação, cultura e cidadania
 
 

💭Estamos lendo menos… ou apenas lendo diferente?

Ao mesmo tempo em que a leitura de livros cai, o consumo digital cresce: stories, posts, legendas, mensagens, legendas de vídeos… estamos mais conectados do que nunca.

Isso levanta uma questão: será que estamos realmente lendo menos? Ou estamos lendo de forma mais fragmentada, superficial e sem mediação crítica?
 

📚 Multiletramentos: o leitor de agora

É nesse ponto que entra o conceito de multiletramentos, desenvolvido por pesquisadores como Roxane Rojo. Para ela:

    💬 "Não basta apenas saber decodificar letras; 
é preciso ler o mundo em suas múltiplas 
linguagens e contextos." (ROJO, 2012)

Vivemos em uma sociedade hipertextual. Ler hoje significa compreender textos verbais, visuais, audiovisuais e digitais. No entanto, mesmo diante dessa diversidade, a leitura literária continua sendo essencial: ela desenvolve empatia, imaginação, senso crítico e argumentação — habilidades fundamentais para qualquer cidadão.
 

🧠 E agora?

Essa realidade nos obriga a fazer perguntas sérias:
 
💡Que profissionais estamos formando?
💡Com que nível de criticidade nossos jovens chegam ao mercado de trabalho?
💡Que base argumentativa teremos como sociedade no futuro?

A leitura — seja em papel ou em tela — é a base de tudo isso.
 

📚 Conclusão: ler é liberdade

Reverter esse cenário exige ação. Mais do que boa vontade, é preciso investimento em políticas públicas, bibliotecas ativas, formação de mediadores e valorização da cultura.

Precisamos reconectar os jovens com a literatura — não importa se pelo papel, pelo áudio ou pelo digital.

Porque ler não é luxo. Ler é necessidade. Ler é liberdade


Fonte: 
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.
INSTITUTO PRÓ-LIVRO. 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. São Paulo: Instituto Pró-Livro, 2024. Disponível em: https://www.prolivro.org.br (acesso em abr. 2025)

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1 Comentários

  1. deve ser interessante, eu gosto que ler nas redes ajuda na alfabetização. já encontrei pessoas que mal escreviam e q hj já conseguiram aumentar o vocabulário. mas sim, tem que se tomar cuidado com excessos. isso em qq questão. eu leio bastante. não tanto quanto deveria, mas mais que a maioria. beijos, pedrita

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